PROPOSTA EM UM 'LAMPEJO'

Este Blog tem por finalidade servir como um "Diário de Bordo" do Veleiro Lampejo. Passeios, viagens, velejadas, manutenções e dicas a respeito do barco, um DELTA 26 e sobre a região do Litoral Norte/SP, Paraty, Angra dos Reis, Ilha Grande e Rio de Janeiro.
Assim como no blog anterior veleirogaipava.blogspot.com.br , durante 10 anos, espero que este sirva de estímulo às pessoas que desejam entrar nesse maravilhoso mundo da Vela de Cruzeiro.
Uma ressalva: 'O ministério da Saúde adverte: velejar causa dependência!!'
BONS VENTOS!!

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

VELEJADA APÓS A PANCADARIA

Caros tripulantes: ontem, domingo 2/agosto lá fui eu novamente dar um passeio pela nossa região. Como de hábito fui cedinho e antes das 8 h já estava a bordo afim de verificar tudo, barco, poita, boia, mãozinhas, etc...

Tudo de acordo, a previsão que se confirmou era de ventos fracos 6/8 kt do quadrante Leste e ondulação de 1,2 metros. Larguei a poita por volta de 10h. com Yanmar avante e vela Mestra em cima. Safei os barcos e logo desliguei o motor, abri a Genoa e fui saindo rumo Prumirim. Muitas redes de pesca e pesqueiros arrastando camarão com seus tangones abertos. Algumas redes de superfície fazendo o cerco nas tainhas também. 

Na altura da Ponta Grossa o vento diminuiu e cambei retornando e aproveitando a ondulação e a maré enchendo. Não adianta ir contra a natureza..... Com vento (pouco) , maré contrária (enchendo) e ondulação de Leste, o Lampejo tinha velocidade de 1,8 kt. Na volta atingi 4 kt . E assim fiquei, indo e voltando já protegido pela Ponta de Surutuva que quebrava a ondulação. Dei diversos 'jaibes' indo até a Barra Seca e voltando. 15h retornei pra poita motorando arrumei tudo e voltei pra casa. 

A nota preocupante foi a esticada que deu no cabo de nylon da poita. Já tratei na Costa Norte a troca do conjunto todo. 15 a 20 dias. Oremos!!   

Arrastando camarão

A todo pano

Vai e vem

Cabo esticado após 29/7
Velejamos 14 milhas náuticas.

E, num Lampejo voltaremos.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

MAU TEMPO E IRRESPONSABILIDADE

 Caros tripulantes: a previsão era de mau tempo chegando na quarta feira, 29/julho. Foi amplamente divulgado por todos os meios de comunicação, mas mesmo assim muitos não acreditaram ou não se preocuparam ou pensavam que eram superiores a isso.

Essa arrogância tem sido recorrente principalmente no que diz respeito à afronta aos eventos da natureza e seus avisos. Era certo que viria uma pancadaria pois já tinha atingido o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Iguape, Cananéia, Santos e subindo....

O dia no Itaguá era normal. Lanchas zarpavam, escunas idem, fretados saíam para pescar, pesqueiros também e até alguns veleiros.....Os alertas no celular começavam a pipocar.

Lá fui eu para o Lampejo acompanhar a porranca que se avizinhava. !4h já estava embarcado e mal o taxiboat me deixou no barco, o show começou!! Só deu tempo de abrir a cabine e eu já não parava mais em pé. O céu que era azul se tornou negro e assustador. Eu mesmo já me punia mentalmente por não ter vindo antes, mas o taxiboat ficou fazendo hora pra me levar, pois eu cheguei na praia 13:20h....

Enfim, não consegui me preparar de acordo. Deu tempo de vestir o colete, me clipar no barco e ficar sendo jogado de um lado para o outro tal a violência do vento SW e do mar. Esses vídeos consegui fazer quando deu uma acalmada. 



Decidi ficar no cockpit , então fechei a entrada da gaiúta, celular dentro de um 'case', uma garrafa de água, uma faca de mergulho para cortar o cabo que me prende à poita  e o croque rígido se precisasse afastar alguma embarcação que escapasse. O Sudoeste entra no Itaguá pelo canto do rio Acaraú e em tese é menos agressivo que o vento Leste pra nós, mas mesmo assim levantou onda de 1 metro e fez um inferno ali.

Um pesqueiro com seus ' tangones' arrastou com poita e tudo e foi pra cima do barco francês do Simon, os dois foram se afastando em direção ao mar até que se desenrolaram, mas com sérios prejuízos ao veleiro de aço. Lanchas escaparam e escunas também, mas nenhum perto do Lampejo. As pessoas me perguntam porque fico a bordo nessas ocasiões, mas é melhor vivenciar isso e tentar resolver do que chegar no dia seguinte e ver o resultado....

Depois de uma hora deu uma acalmada e só então consegui abrir o paiol e preparar uma segunda âncora no cockpit.


O que faço nessas situações: coloco meu flutuador, me prendo no barco com o arnês (cabo amarelo que aparece na foto),  ligo o motor e deixo funcionando por uns 10' e depois desligo e deixo a chave numa bolsinha. Pego o ferro reserva, prendo a amarra no cunho de proa e deixo ele pronto para ser 'jogado' na água . Dessa forma não preciso ir na proa soltar a âncora principal. O problema dessa vez é que não deu tempo de nada... ou quase nada.

No auge da pancadaria escutei um barulho, um estampido forte. Pensei que alguma coisa tinha batido no casco. Não dava pra ir na proa senão cairia no mar mesmo usando o arnês. Entrei na cabine e chequei todos os paineiros e nada, Não havia água no porão. Excelente!! Só mais tarde quando pararam as rajadas mais fortes fui até a proa e para minha surpresa um dos cabos (espias ou mãozinhas) simplesmente estourou. Nunca havia visto isso com amarra de âncora. Já vi acontecer com cabos náuticos.... Rapidamente abri o paiol e peguei uma mãozinha nova, zero km ou zero milhas náuticas para substituir. 

Aprendi que no mar quem tem 2 só tem um e quem tem 1 não tem nada....Sempre deixei 2 mãozinhas passadas na alça da boia. 'Just in case'.



Tudo bem.....eu tinha duas amarras passando lá, mas se tivesse só uma o barco estaria solto. As notícias iam chegando pelo celular e em Ilhabela foi pior que em Ubatuba. Muitos barcos foram parar nas pedras, afundaram, se perderam. As imagens eram muito tristes. No Itaguá as viaturas de resgate vinham para atender aos chamados.

Um dos mais graves foi uma lancha que saiu lotada com 11 pessoas a bordo e que naufragou no través de Itamambuca em razão do mar ter crescido até as ondas embarcarem e virar a lancha. Todos já vestiam seus coletes e a ajuda de outras embarcações que  foram resgatar as pessoas na água foi imprescindível, inclusive 2 crianças que chegaram em estado grave ao PS Sta.Casa.

Não faz muito tempo  morreram  um experiente capitão (conhecido meu)  e mais dois tripulantes num fretado que virou de noite próximo à laje do Patieiro. Saíram em 5 e voltaram só dois sobreviventes....Havia aviso de mar grosso emitido pela Marinha.

O pessoal vende o passeio, sabe do mau tempo, mas vai mesmo assim. O marinheiro vai se acostumando, uma, duas, inúmeras vezes driblando o mar, mas basta uma dar errado......excesso de confiança, ganância, arrogância, irresponsabilidade..... na minha opinião um pouco de cada.



A noite chegou e com ela o vento quente de NW forte de uns 15 kt que para nossa ancoragem é o pior juntamente com a Lestada, porque se o barco soltar da poita vai direto pra encosta nas pedras. Diante de tanta tragédia que chegava no celular, me conformei e sabia que ficaria a noite inteira acordado monitorando o Lampejo e principamente os outros barcos. Fui desmaiar 4 h da madrugada e acordei 7 h com sol quente, mar liso, ventinho da manhã e muitos peixes pulando ao redor do barco.

Ter barco na poita significa  não dormir nunca mais.... como fazemos com os filhos adolescentes ou adultos. 

Ainda bem que passo 2 desse na alça da boia.Senão....

Marinheiro bom não sai em mar ruim. Há quem discorde....

Esse é um 'post' que preferia não ter feito.


segunda-feira, 27 de julho de 2026

DOMINGOU

 



Ricardo e Magno
Caros tripulantes: continuando a 'doce rotina' aqui pelo nosso 'quintal encantado', domingo fui pra água novamente afim de dar aquela velejadinha doméstica mas prazerosa . Previsão de mar com pouca ondulação e ventos fracos de não mais de 6 kt do quadrante Leste.

Fui cedinho de taxiboat, iniciei a preparação para mais uma vez 'solo' como de hábito e então vi que no veleiro SURF Ranger 22 estava o Magno no cockpit. Ele já está no grupo de whatsapp daqui mas como acabou de adquirir o barco, ainda não está enturmado.

Larguei a poita 9 h com Yanmar ligado no Neutro, vela Mestra em cima, passei pelo Surf e rapidamente após breve conversa, encostei a contrabordo e o Magno num pulinho já estava a bordo do Lampejo. 

Então logo desliguei o motor, abri a Genoa ,  passei o leme pra ele e fomos saindo da baía vagarosamente. E assim fomos indo nos alternando no leme e no rumo, com bordos e jaibes seguidos.  


Resto de peixe deixado pelas gaivotas


Um resto de peixe foi deixado no convés por alguma gaivota ou atobá. Sobrou só o esqueleto....e o cheiro. Já achei siri, lula, peixe, ovo de andorinha, tudo sobre o barco. Normal. Afinal o intruso sou eu!!

Meio dia deixei o Magno no seu barco, já que ele iria embora e fui dar minha voltinha. Ainda avistei um bando de Toninhas , pequenos golfinhos muito ligeiros, difíceis de filmar, mas que estão sempre por perto. Fazia um friozinho apesar do sol e às 16 h voltei pra poita, arrumei tudo e voltei pra casa.

Velejamos 11 milhas náuticas.

E, num Lampejo voltaremos.

terça-feira, 21 de julho de 2026

SEGUNDA FEIRA VELEJANDO

 Caros tripulantes: novamente “solo” como de hábito. O que para outros é dia de trabalho, pra mim é dia de velejar. Vale salientar que já estive do 'outro lado do balcão'..... kkkk

Sempre de cinto na velejada 'solo'



Sem mais “lenga lenga” como diz  Mariana, uma das minhas netinhas, fui cedo ao barco pra preparar tudo e zarpar com o barco absolutamente pronto.

Vela Mestra em cima, Yanmar ligado no Neutro, vhf ligado, uma brisa se fazia presente, mas parecia  um “terral”, o que se confirmou adiante.

Larguei a poita 9:39h velejando vagarosamente por entre os barcos, passei pelo BluePeace e cumprimentei o Gian e seus alunos e fui saindo rumo Prumirim.



A previsão era de pouco vento do quadrante Leste e 1,4 m de ondulação. Dei avante no motor e por duas vezes já no través da Vermelha do Norte coloquei no Neutro e abri a Genoa. As velas ficavam batendo e desarmando tanto que cambei e iniciei a volta para a nossa enseada. Como estava a passeio e não tinha destino certo, prefiro velejar a motorar.  Lá dentro as montanhas acabam acelerando o vento desde que esteja fora da' sombra' e assim fiquei indo e vindo, só no vento numa velejada agradável, com uns 5 kt de vento Leste. As redes e boias de marcação se multiplicam na enseada de Ubatuba e isso se torna um problema quando essas redes não estão sinalizadas..... passei raspando uma dessas boias semi submersa e quase que o hélice ficou preso. Foi por pouco... Por volta de 15:30 h fui pra poita, arrumei tudo, chamei o taxiboat que demorou muito como sempre e voltei pra casa tranquilo e sereno.

Redes e espinheis.

zigue zague

 Velejei 12 milhas náuticas aproximadamente.

E num Lampejo voltaremos. 









domingo, 12 de julho de 2026

VELEJADA EM FAMÍLIA

 







Caros Tripulantes: dia 9 de julho meu filho João, nora Juliana e meus netos Isabel e Lucas vieram passar uns dias em Ubatuba e claro, fomos fazer um breve passeio de veleiro. 9 horas já largamos a poita com vela mestra em cima e Yanmar avante já que não tinha vento pra sair velejando. Fiquei meio receoso das crianças enjoarem, mas que nada. Até zarparmos não deixei que entrassem na cabine. É nesse momento que se dá o enjoo ..... depois eles entraram e não teve probleme. Fomos motorando até a Ponta Grossa, mostrei prá eles a Ilha Anchieta, mas nem uma brisa pra velejar. Cambei e iniciamos a volta, pois eles queriam mais emoção.

Super entendo já que eles têm 10 e 7 anos. Mesmo assim abri a genoa e retornamos velejando um pouquinho até pegar a poita e em seguida fomos até a praia do Tenorio pra eles brincarem nas ondas.

As fotos abaixo são de 2022 e 2026 com eles ajudando a encher os botes. Minha tripulação está crescendo...

Lucas 2022

Isabel 2022

Isabel 2022

2026

2026

2026

Navegamos 6 mn.

E num Lampejo voltaremos!!

domingo, 21 de junho de 2026

ÚLTIMA DO OUTONO 26

 Caros tripulantes: na quinta-feira 18/jun lá fui eu de novo dar uma velejada solo pela nossa linda enseada de Ubatuba, Praia do Itaguá. 

Cheguei cedo como de costume e em 40’ já estava com o Lampejo em condições de zarpar. Só faltava o combustível: vento.

Aí fiquei fazendo hora até aparecer uma brisa e então zarpei 10 h com vela Mestra em cima, Yanmar ligado no Neutro.

Larguei a poita e a brisa parou, me obrigando a motorar por não mais que 10’ até o meio da enseada. Desliguei o motor, abri a Genoa e comecei a velejar deslizando bem devagar. Assim fiquei até que 11:30 h o vento aumentou até uns 5 nós, o suficiente pra velejar rumo Ilha do Prumirim.

Lampejo: foto de GianFranco

Velejador folgado amarra o leme com elástico e fica descansando.



BluePeace por BE

O vento era SE de uns 5 nós e o mar tinha ondulação de 1 metro constante, tornando a velejada agradável.

O veleiro BluePeace do Gian retornava à motor e vela e após trocar mensagens eu decidi retornar também até pelo adiantado da hora. O dia estava muito bonito e o ventinho já soprava frio.

Cambei e retornei para a poita, arrumei a tralha e voltei pra casa sem intercorrências .

Navegamos 4:30h e 8 milhas náuticas. 

E num Lampejo voltaremos.






domingo, 7 de junho de 2026

PRIMEIRA DE JUNHO

 Caros tripulantes: mais uma vez em solitário, fui logo cedo para o Lampejo, preparei tudo rapidamente e zarpei nas primeiras brisas que surgiram, 10:30h com Mestra em cima, Yanmar ligado, avante por entre os barcos. O vento pouco as vezes nada me fizeram ficar boiando até 11:30 h quando consegui deslizar com vento SE de uns 5/7 nós, saindo rumo Prumirim. Muitos barcos enfeitavam o mar. Chegando na Vermelha do Norte o vento merrecou, cambei e iniciei a volta e fiquei dentro da baía indo e vindo. 14:30 h recolhi e devagar arrumei tudo e voltei pra casa, sem susto nem problemas. O dia foi muito bonito com sol mas friozinho gostoso.






Naveguei 8 MN. 

E num Lampejo voltaremos!!




sábado, 30 de maio de 2026

DIA CINZA DIA DE VELEJAR!!

 

Caros tripulantes: sexta feira, ontem foi dia de velejar mesmo com tempo cinza e garoando. Fui ao Lampejo logo cedo, preparei tudo e zarpei por volta de 10 h com Mestra em cima e Yanmar no Neutro. Havia uma brisa e zarpei à vela safando os barcos. Logo desliguei o Yanmar e comecei a velejar. O vento diminuiu bastante e fiquei 'à rola' por mais de uma hora. Aproveitei e almocei sanduíche de salame. Como derivei muito, achei melhor ligar o motor e sair da onça. Voltei para nossa enseada e ali fiquei. O vento aparecia, depois sumia e assim ficamos. 

Fazendo um parênteses: ao içar a vela mestra fui obrigado a fazer um reparo de emergência já que a mesma apresenta um desgaste excessivo e está dlaminando. Essa vela veio com o enxoval de 8 velas extras quando comprei o barco.

É uma vela de carbono, muito bonita e usada em competição. Mandei ver no SILVERTAPE!!!! Vai até acabar rasgando. Lógico que tenho outras.




Retornei pra poita 14:30h para o pernoite. Na hora que voltava, entrou um vento bem mais forte que me obrigou a descer as velas antes que a mestra rasgasse. Feito isso peguei a poita na segunda tentativa , me recolhi , lanchei, fumei meu cachimbo e dormi.





Dia seguinte , hoje cedo, retornei pra casa cedinho.

Navegamos 6 milhas náuticas.

E, num Lampejo voltaremos!!

terça-feira, 19 de maio de 2026

TAY A BORDO

 Caros tripulantes: sábado 16/maio fui ao Lampejo meio na dúvida se iria velejar ou não... A previsão que se confirmou depois era de ventos fracos, alguma ondulação e sol entre nuvens. 

Acabei encontrando a Tay, 'estagiária' do Gian que o esperava mas ele havia desistido de ir e então lá fomos nós para a primeira velejada dela num veleiro de oceano. 


Zarpamos por volta de 10 h com vela Mestra em cima e Yanmar ligado. Motoramos até sair da sombra do morro e logo veio uma brisa nos empurrar e assim fomos indo, e eu ia ensinando a ela como levar o barco, orçando, arribando, aquartelando. Ela já velejava de monotipo e num oceano as coisas mudam, embora a essência seja a mesma. 





Muitos barcos e escunas de passeio passavam. Algumas boias de redes de pesca também apareciam e dentro da enseada. Fomos indo, driblando tudo, às vezes o vento aumentava um pouco mas nunca passou dos 5 kt. Chegamos inclusive a navegar a 4 kt de velocidade. O Lampejo se comportou muito bem. Por volta de 14 h recolhemos, arrumamos tudo e voltamos pra casa. A Tay gostou bastante e foi muito bem. Aprende rápido e pelo jeito logo terá seu próprio barco. 

Navegamos por volta de 10 MN.

E, num Lampejo voltaremos.