PROPOSTA EM UM 'LAMPEJO'

Este Blog tem por finalidade servir como um "Diário de Bordo" do Veleiro Lampejo. Passeios, viagens, velejadas, manutenções e dicas a respeito do barco, um DELTA 26 e sobre a região do Litoral Norte/SP, Paraty, Angra dos Reis, Ilha Grande e Rio de Janeiro.
Assim como no blog anterior veleirogaipava.blogspot.com.br , durante 10 anos, espero que este sirva de estímulo às pessoas que desejam entrar nesse maravilhoso mundo da Vela de Cruzeiro.
Uma ressalva: 'O ministério da Saúde adverte: velejar causa dependência!!'
BONS VENTOS!!

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

TESTE DO ESTAIAMENTO

 Caros tripulantes: nem foi uma velejada. A previsão era de tempo fechado com rajadas de 1 nós. Lá fui eu solo novamente fazer os testes do reaperto dos brandais. Aliás o brandal de top de BB deu uma folgada e eu tive que dar novo aperto. Preciso ficar atento!!

Antes de zarpar, fui tirando as medidas da retranca e do mastro, fotografando as velas , rizo, cunningham, punhos , etc já que estou cotando com o Paulo Patti , meu 'sailmaker', uma nova vela mestra. Não é difícil mas é trabalhoso e tive que desmontar todo 'lazybag' pra isso.




Só por volta de 11:30h consegui zarpar com Yanmar no Neutro, Mestra em cima e fui saindo com uma brisa de SE de uns 4 nós. Após safar as embarcações, engatei avante pra rodar o hélice. Em seguida desliguei o motor, abri a Genoa parcialmente e fiquei indo e vindo. Como o vento era pouco eu abri toda vela de proa e fui saindo da enseada com algumas rajadas fracas. 


Retornei pra poita 14:30h e com imagens do Gian que também tinha saído com seu barco.



 



Não foi o teste que imaginei mas foi o teste possível num dia nublado, pouco vento e alguma garoa. 

Velejamos 8 milhas náuticas. 

E num Lampejo voltaremos!!

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

REGULAGEM DOS BRANDAIS

 

Caros tripulantes: sábado 24 de outubro fui ao Lampejo cedinho depois de uma semana em SP e chuva todo dia.

Liguei o motor, arejei a cabine, sequei o pocecto e fui regular os estais, ou melhor, brandais ou óvens. Existe uma certa sequência prá isso.

Coloca o tensiômetro no brandal e mede a tensão.Iniciamos sempre pelo brandal de tope. Faz-se o de BE e depois o de BB. Só depois fazemos os brandais de força ou internos.  Observação: normalmente fazemos a regulagem dos brandais quando ao velejarmos notamos que os de 'sotavento' estão folgados demais e isso não é bom, já que ao subir e descer uma onda o mastro pode balançar perigosamente e um terminal de aço que trabalha justo e preso ao mastro pode se soltar ou até romper.

Folga o estai de popa, deixa solto mesmo. Por cautela pega uma adriça solteira e prende na borda falsa do lado que for mexer. Então munido de uma chave 17 folga as duas porcas na extremidade do esticador do brandal de BE.Aí trava com o alicate de pressão a extremidade do referido brandal e coloca uma chave de fenda atravessando o esticador e vai apertando até chegar na medida desejada. 






Tensiômetro fazendo seu trabalho.

O alicate segura a ponta do terminal pra não girar

a chave atravessa o esticador e faz o aperto.

Existe uma graduação de carga de ruptura dos estais, ou seja, solto e folgado é perigoso. Apertado demais é problema...... No caso do Delta 26 a ancoragem do estaiamento é presa por dentro da cabine por um outro esticador de bronze laminado no casco. Isso confere bastante segurança ao conjunto. Lembrando que o mastro do Lampejo é passante, ou seja, vai até a quilha. Não é apoiado no casario como era o Gaipava. 

Depois é só dar o reaperto nas porcas e está pronto . No 'olhometro' dá pra ver se o mastro tem caimento para um dos lados. Outra técnica é colocar um balde com água no pé do mastro e amarrar na adriça da mestra uma chave inglesa por exemplo. Então coloca a chave dentro do balde e veja o resultado.

Também pode pegar essa mesma adriça e levar até a borda falsa de BE e depois BB. Em ambos os lados ela deve tocar no mesmo ponto. Senão está torto!!

Outra maneira de fazer isso é velejando. Deixa alguém de confiança no leme. Com um vento de 7 a 10 nós e barco um pouco adernado os brandais de sotavento estarão folgados. Aí vai se apertando até cessar a folga. NÃO MAIS!!

Faz de um lado, camba e faz do outro. Depois faz os brandais de força a mesma operação. Desse jeito não faz força nenhuma, mas não pode nem pensar em dar um bordo senão cai a 'jaqueira'.....Depois com o barco na poita verifica com o tensiômetro e se for o caso faz um ajuste fino. 

É isso. Regulagem feita

Agora é só parar de chover e velejar.

E, num Lampejo voltaremos.



Fuzil de Boreste/Ancoragem dos brandais

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

PÃO COM MORTADELA

 Caros tripulantes: na quarta fui ao Lampejo pra lavar o convés e casario. Estavam imundos depois de meses de chuva com pequenos intervalos de sol. Foram 4 horas de trabalho e 50 litros de água, mais cloro e sal azedo. Ficou bom.



Aí na quinta fui cedinho pra minha velejada habitual. Zarpei 9:30h  com Yanmar avante, vela Mestra em cima, com ventinho começando a soprar de SE. Estava solo como sempre ou quase sempre.

Fui saindo rumo Prumirim e logo desliguei o motor abrindo a Genoa. Muitos pesqueiros pelo caminho mas o vento de 3/4 nós ajudava a cambar. Chegando em Itamambuca o vento foi a zero em meio aos pesqueiros com seus tangones abertos. Não dava prá ficar boiando já que eles não entendem e vem pra cima na direção do barco. Achei melhor ligar o motor e ir voltando. 

Chegando na ponta Surutuva o vento apareceu, motor off e velejei bastante até parar o barco na 'capa'.


 
Lanchinho

Chegando no Perequê-Açu

Lampejo sob a ótica do Gian


Cmte.Clipado
Comi um sanduíche de mortadela com minha cerveja de sempre, fui ao 'banheiro' nos estais e depois iniciei a velejada com vento aumentando até 9/10 nós e assim fiquei até recolher 14:30 h. Arrumei tudo e voltei pra casa. 

Velejamos 14 MN.

E num Lampejo voltaremos.

domingo, 27 de setembro de 2026

VELEJADA E PERNOITE

 


Caros tripulantes: ontem fui ao Lampejo pra finalmente dar uma velejada depois de um mês de chuvas. Cheguei cedinho de taxiboat, preparei o barco e 9 h zarpei com Yanmar ligado avante e vela mestra em cima. A previsão se confirmou e foi um dia de ventos de 5/8 nós de SE com ondulação regular de 1,2 m.

Capeando pra almoçar.


Céu azul, sol de primavera e muitas embarcações na água. A ideia era ir até ilha Anchieta, mas como soprava sudeste, resolvi subir rumo Prumirim. Tive que driblar muitas redes e espinheis logo após a ponta de Surutuva e vários pesqueiros arrastando camarão que teimavam em cortar minha proa. Tudo bem que eles têm preferência...., mas parece que é de propósito me fazer alterar meu rumo. 

Fui saindo com amuras a BE direto. O barco se comportava super bem. Cambava a toda hora cada vez que apareciam redes. Às vezes tem 3 boias formando um triângulo, acrescente alguns pesqueiros e você tem diversão garantida. Cheguei até o início do Prumirim, então o vento diminuiu e voltei me arrastando a 1.5 nó. Já mais perto da Ponta Grossa o vento melhorou e fiquei indo e vindo entre o Perequê açu e o Itaguá.

16 h peguei a poita e deu aquela preguiça gostosa. Decidi pernoitar a bordo. A noite foi tranquila e chuvosa.





Lua surgindo

Luzes de navegação OK



Fumei meu cachimbo, comi pasta com frutos do mar (miojo/sardinha) escutei rádio e dormi bem no balanço das ondas.

Acordei cedo, com bastante garoa, arrumei o que deu e voltei pra casa.



Velejamos 20 mn em 7 h.

E num Lampejo voltaremos!!

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

VASO SANITÁRIO JABSCO

 

Caros tripulantes: hoje não se trata de postar nenhum passeio, mas a manutenção do vaso sanitário manual JABSCO.

Esse vaso eu comprei novinho já que dei bobeira e na compra do Lampejo não verifiquei se o que lá estava se encontrava funcionando. Claro que não....

Passados quase 7 anos desde que o instalei, a bomba manual deixou de funcionar. Não entendi bem porque mas fui descobrir. Normalmente 3 peças dão problema. válvula joker, reparo da bomba e diafragma.


'Água' no poceto

Ocorre que antes do vaso apresentar problemas no seu uso, ou seja, não puxava água do mar nem expelia os dejetos, eu notava sempre uma 'aguinha' no poceto. Como todo velejador já fez um dia, melhor maneira de verificar é colocar o seu dedo na aguinha e experimentar....coisa que fiz algumas vezes. O gosto não era doce, não era salgado, vinha com algum óleo.... sem conclusão alguma.... eu secava o poceto e na outra vez que ia a bordo lá estava ela..... a aguinha....Aí resolvi mexer em tudo mesmo e iniciei a saga sabendo que teria que trabalhar sozinho num cubículo e a cada ferramenta que precisasse teria que me levantar entortando as costas dando cabeçada.....

Tapando as mangueiras com pano velho

Desconectei as mangueiras que são 3: entrada de água, saída dos dejetos e lavagem do vaso. Importante deixar os 2 registros fechados no casco para evitar inundação.


Reparo da bomba

Bomba desmontada

Diafragma


À medida que desmontava tudo, o cheiro era nauseabundo apesar de não conter nenhum xixi ou cocô. Fui limpando peça por peça, reparos, borrachas, tudo. E tome silicone nas borrachas!!! Nesse momento já lutava pra não vomitar.....

Difícil vomitar no meu barco, mas dessa vez dei 4 golfadas daquelas de cinema....filme de terror. Passei bastante mal e a partir daí fui pro sacrifício. Foi duro mas terminei de fazer e remontar a bomba no vaso.


Mangueira vazando



Diafragma

Então veio o teste final com o vaso montado novamente e funcionou!! Água entrando e saindo, bomba funcionando. Chego à conclusão que não era nenhuma peça deteriorada, mas apenas uma lavagem no sistema. 

O único problema foi verificar que aquela aguinha que tantas vezes experimentei vinha da mangueira de saída uma vez que se trata de uma mangueira flexível que está absolutamente dura em razão do cálcio que se forma dentro mais o sal do mar. Essa mangueira precisa ser trocada, mas sem pressa porque vaza bem pouco e principalmente já descobri o problema. 

 

Válvula joker



Preço do vaso completo novo : 2.500 reais

Preço da bomba nova : 1700 reais

Preço dos 3 reparos : 350 reais

Preço do Cmte. Ricardo: 4 vomitadas. 1 Dorflex Plus  1 injeção Beta 30. 

E num Lampejo voltaremos!! Se a chuva parar um dia.....

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CÉU NUBLADO E FRIO!! BORALÁ!!

 

Lampejo visto da orla. 

Motorando

Todo pano
Caros Tripulantes: ontem, terça feira 8/setembro lá fui eu novamente ao Lampejo. Inicialmente iria só dar uma arejada no barco depois de tanta chuva, mas eis que o sol surgiu tímido e entrou um ventinho. Então resolvi largar a poita e dar minha voltinha solo e sozinho já que não tinha nenhum veleiro na água. Zarpei 10 h com Yanmar ligado no avante e vela Mestra em cima. O vento que era fraco insistia em rondar. Motorei por uns 15 minutos, abri a Genoa, desliguei o motor e fui saindo rumo Prumirim. O mar tinha bastante ondulação, meio que de ressaca e maré enchendo bastante, estourando na encosta. 

A velejada era tranquila só exigindo maior atenção.Como de hábito o vento merrecou e antes que as velas começassem a bater, cambei e iniciei a volta. Voltei surfando.....Já dentro da enseada o vento começou a rondar bastante a ponto de ficar parado à deriva não conseguindo trimar as velas. Percebi que era hora de voltar e assim o fiz voltando pra poita por volta de 13h.


  Arrumei tudo e voltei pra casa . Barcos devem estar sempre ativos. Quando for comprar o seu, minha sugestão é pedir imagens recentes do barco navegando. Hoje com internet e smartphones, não há quem não tire suas fotos. Se não tiver, não navega. Se não navega deve ter problemas. Barco parado é 'barco problema'.

Navegamos 7 milhas náuticas.

E, num Lampejo voltaremos.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

BANDO DE GOLFINHOS PELA PROA

 


Caros tripulantes: 30/agosto, domingo, lá fui eu novamente pra uma velejada solo. A previsão não se confirmou e o dia estava cinza, céu encoberto e 'esquisito. A previsão era exatamente o contrário, inclusive no sábado ela acertou  com dia de sol e temperatura agradável. Como estive por duas vezes em Sampa nesse mês, não me sobrou muita alternativa senão fico mal humorado quando não velejo.

Mas....eu havia me planejado pra ir no domingo, então lá fui eu de taxiboat às 7:30h.Preparei tudo para o zarpe, o que não demorou nem 40'  kkkkkk quem me conhece sabe como sou sistemático e como vou solo, não posso esquecer de nada porque aí fica tudo  mais difícil .

Zarpei 9 h  com Yanmar ligado no Neutro, vela Mestra rizada na primeira forra, já que a previsão mudou, entrou uma pré-frontal então tomei todas essas precauções. Afinal tirar o rizo é mais fácil que colocá-lo. 

No momento que larguei a poita o vento que já estava forte 'miou' e tive que sair motorando. O céu estava bem encoberto, mar picado e ondulação pequena. Havia também um sereninho. 

Alfredo!! me  Piloto automático. A necessidade é a mãe da invenção.

Veleiro ao longe

Logo desliguei o motor já que voltou a ventar, abri a Genoa pela metade e fui saindo da nossa linda enseada. O vento que era de uns 10 kt rondava muito indo de SE para NE e haviam muitas redes pelo caminho e seus pesqueiros pescoçando o que me obrigava a bordejar para driblar todos eles. Tirei o rizo da Mestra e abri toda a Genoa em segurança. Fomos a todo pano!!

Pra minha alegria um bando de golfinhos veio em minha direção passando pela proa do Lampejo, inclusive eu folguei as velas pra poder filmar. É sempre uma alegria vê-los tão pertinho. Em julho aliás pude avistar uma baleia, mas como haviam dezenas de lanchas ao redor da 'coitadinha' preferi ficar de longe mesmo. Hoje o smartphone pulverizou qualquer distância.... para o bem e para o mal, aí o cara avista a baleia e avisa nos grupos de whatsap e junta um montão de gente em volta. Eu super entendo já que isso dá uma 'turbinada' nos passeios, mas tem que respeitar a natureza do 'bicho' e a segurança dos tripulantes. 

De início pareciam Toninhas que são pequenos golfinhos bem rápidos e que não se deixam aproximar. Quando você vê... lá se vão e não aparecem uma segunda vez. Então à medida que se aproximaram vi que eram golfinhos com o dorso cinza, alguns 'malhados' e menores e que desfilavam calmamente e sem medo algum. Isso se deu entre a praia Vermelha do Norte e Itamambuca.

Como o vento deu uma merrecada de novo, cambei e fui voltando com ventinho de alheta e com muita paciência também, já que motor de veleiro é vela!! De fato só ligo meu Yanmar numa extrema necessidade ou pra sair da poita quando não há vento e pra voltar também, mas sempre bem próximo.

Voltei pra poita por volta de 15 h arrumei tudo, chamei o taxiboat e fui pra casa. 

Naveguei aproximadamente 15 MN.

E, num Lampejo voltaremos!!