PROPOSTA EM UM 'LAMPEJO'

Este Blog tem por finalidade servir como um "Diário de Bordo" do Veleiro Lampejo. Passeios, viagens, velejadas, manutenções e dicas a respeito do barco, um DELTA 26 e sobre a região do Litoral Norte/SP, Paraty, Angra dos Reis, Ilha Grande e Rio de Janeiro.
Assim como no blog anterior veleirogaipava.blogspot.com.br , durante 10 anos, espero que este sirva de estímulo às pessoas que desejam entrar nesse maravilhoso mundo da Vela de Cruzeiro.
Uma ressalva: 'O ministério da Saúde adverte: velejar causa dependência!!'
BONS VENTOS!!

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

TROCA DA POITA/POR 'UM'FIO!!

 






Caros tripulantes: como faço a cada 2 anos, estava na hora de trocar o conjunto cabo/ferragens que mantém o Lampejo em seu devido lugar na poita. A COSTA NORTE, empresa séria aqui de Ubatuba tem sido a parceira desde 2013 ainda com o Gaipava. Ocorre que eles já avisam a partir de 20' mês e confesso que fiquei tentado em deixar prá depois das festas de fim de ano. Contudo, pensei bem e resolvi fazer agora. Ainda bem!! Então, agendamos para dia 2/dezembro, sexta passada. Fui cedinho para o Lampejo e já deixei tudo no jeito. Eles chegaram pontualmente 10 horas e já começaram mergulhando e tirando o cabo 'velho' de 22 meses. Aí veio a surpresa: estava por 'um fio'. A proteção termo-mecânica preta que é derretida nas extremidades para proteção do cabo/mangueira tinha se rompido lá embaixo onde ninguém vê e embora as 3 tranças estivessem lá, era visível seu desgaste com vários fios rompidos. A única certeza era que esse cabo seria cortado com as ondas, marés, ressacas, balanço do mar. Só não se sabe quando.....


Esse ano de 2022 foi bem agressivo para as embarcações do Itaguá. Tivemos diversos barcos entre veleiros, escunas, fretados, pesqueiros que escaparam devido às ressacas e manutenção mal feita. Tivemos inclusive 2 CICLONES EXTRATROPICAIS um deles de 3 dias em que fiquei a bordo e vi (sofri) de perto sem dormir, chacoalhando como se estivesse numa máquina de lavar....



Infelizmente, durante o ano e principalmente no inverno, alguns barcos afundaram (Atmosphera e Tiziu) com prejuízo total para seus donos, enquanto outros conseguimos resgatar na encosta, na praia e até à deriva. As imagens acima são do próprio Lampejo e do Gian a bordo do BluePeace.

As ferragens que a Costa Norte disponibiliza são de 1 polegada o girador e 3/8 as manilhas e correntes e cabo de poliester de 32mm.Dessa vez o girador estava mais íntegro que das outras trocas em compensação o cabo é que iria se romper, mais cedo ou mais tarde.As correntes também já apresentavam um desgaste aparente. Fica a lição para fazer a verificação lá embaixo a cada 6 meses independente do tempo do cabo. Na verdade eu havia pedido ao Leandro que faz a limpeza de fundo duas vezes por mês que desse uma olhada. Ele olhou e não viu.... tem coisas que só o Comandante ....





Na próxima vez daqui 6 meses, quem mergulhar vai levar uma GOPRO prá filmar. Só assim prá acreditar....Fica a torcida que os outros barcos façam seu 'dever de casa' e nos cabe rezar prá NSdoBarconaPoita dar uma ajudinha.


 


E, num Lampejo voltaremos!! 

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

SESI LEOPOLDINA

 Caros tripulantes: a convite da Professora Adjani da Isabel, minha netinha, fizemos uma singela apresentação sobre nossa rotina a bordo do Lampejo, explicando como funciona um barco à vela, falando também sobre os animais marinhos que encontramos em nossas velejadas e sobre o LIXO que afeta a navegação, agride a fauna e flora marinha. Fomos logo cedo ao SESI com o João Ricardo, a Maria e claro, Isabel. 

A classe estava toda decorada com motivos marinhos, fomos super bem recebidos por todos, e a Escola mais parece um clube, com jardins, ginásio, piscina, vários prédios e muita excelência!!







A professora decidiu fazer a atividade fora da sala de aula, já que levamos fotos, bóia circular, colete salva vidas, bússola, uma carta náutica, um pequeno veleiro de madeira, cabos para ensinar nós e até uma concha para escutar o som do mar. A criançada adorou e nós também.










A apresentação durou mais de uma hora e no final as crianças vieram nos abraçar espontaneamente, a ponto dos olhos lacrimejarem pois sabemos ser sinceros esse sentimentos. Deixamos também algumas canecas que mandamos fazer para serem sorteadas entre os alunos. Foi uma experiência única. 
Obrigado professora, mas principalmente obrigado Isabel!! Foi demais!!!!
E, num Lampejo voltaremos!!

CURSO BLUE WATER NO VELEIRO SONECA

 

Caros tripulantes: dia 6/novembro, fui para o Soneca do Tio Spinelli participar do Curso BlueWater ou Mini África que simula desde a preparação do barco até uma esticada de 150 MN no rumo 155 magnético. Estavam a bordo o Tio, Capitão, sua Imediata (que já fez a travessia para África) Theodora e as vítimas, Jaime Chileno, Rubens e eu.

Foi uma semana limpando, engraxando, velejando, compactando o lixo, tomando banho com apenas 1 Litro de água, fazendo a 'Cambuza', deixando Mercadinho pronto, Larica da noite, Inventário dos armários, fazendo turnos de 2X4 mesmo com o barco na poita, praticando o uso do Sextante (fui péssimo.... nas tomadas de altura, visadas como se diz), Balão, MOB, enfim, , muito aprendizado.




PROCEDIMENTO DO 'MOB'



Durante as saídas praticamos o Man Over Board, manobra imprescindível, que executamos 'à vela' exaustivamente, onde um tripulante jogava uma bóia circular e quem estava no leme executava os procedimentos necessários até resgatar o MOB.



A cereja do bolo foi subir no mastro do Soneca, coisa que eu jamais pensei em fazer, já que subir numa cadeira era meu limite de altura. O Tio me passou uma segurança muito grande, subiria por mim, sem qualquer auxílio externo, utilizando dois 'ascensores' usados em alpinismo, e atado a um cabo adriça extra tensionado no convés por um dos tripulantes, no caso, o Jaime. Mesmo que eu desmaiasse lá em cima, se é que eu chegaria ao tope, mesmo assim, o Tio subiria numa adriça previamente preparada, me soltaria dos ascensores e o Jaime iria folgando a adriça e eu desceria. Ainda havia os degraus do mastro que são rebatíveis, ou seja, ficam encaixados nas laterais do mastro e eu teria que abri-los um a um à medida que eu subia. O Croc com seu tamanho GGG atrapalhou bem, mas não havia tempo de trocá-lo. Vesti o cinto de segurança, me vesti de coragem e lá fui eu, step by step...






O mastro tem 12 metros, os iates a motor passando no canal mexiam no Soneca e eu balançando lá em cima. Fui tranquilo, parava prá descansar à medida que abria os degraus que teimavam em não querer sair de dentro do mastro e assim fui indo até o tope com bastante esforço físico e surpreendentemente sem medo.A descida foi um pouco mais tranquila e ao colocar os pés sobre o convés tinha vencido um tabu. Aí o Jaime e o Rubens também subiram de boa, a Theodora já havia subido no barco dela, sob a supervisão do Tio.Mas ainda havia mais cereja nesse bolo: zarparíamos no sábado para encarar mar aberto. Não foi fácil.

Por volta das 11 h. zarpamos com ventos de SE, próximo à Ilha Anchieta deu uma merrecada, motoramos uma hora e mais adiante apareceu um vento de 12 nós, fraco para o Soneca, um Samoa 33,5' mas suficiente para irmos velejando no rumo desejado.




Nunca havia velejado tão prá fora, minha navegação é sempre costeira. Demorei mas enjoei. Tirando o tio, todos vomitaram, mas nada exagerado. Entrar na cabine era um terror. Certeza de enjoar.
Outra coisa muito legal foi trabalhar com o LEME DE VENTO que permite a tripulação levar o barco fazendo apenas pequenas correções. Em comum acordo com todos, constatamos que seria um sofrimento desnecessário prosseguir, então decidimos ir até a plataforma de MEXILHAO a 80 MN de Santos onde chegamos na vela, por volta de 13 h. de domingo e após permissão da plataforma, ficamos À ROLA' a 0,5 MN de distância e devidamente amarrados ao barco, realizamos o mergulho na BLUE WATER, mais uma cereja do bolo. Aliás, à medida que avançávamos, 50 MN, depois 100 MN os MIMOS do Tio eram distribuídos, bala de goma, chocolate e carinho e atenção dessa pessoa especial.










Após o mergulho que demorou uns 40', iniciamos o retorno ao Saco da Ribeira com vento fraco de alheta e motor ajudando bastante, chegando na poita 1 h. de segunda após quase 150 MN navegadas. Já na poita, fomos presenteados pela conclusão do curso com bombons de cereja ao licor... olha mais cereja aí!! 

Decidimos desembarcar, pois foram 9 dias no Soneca, todos cansados mas felizes. Maria veio nos buscar, nos despedimos e voltamos prá casa. 

Sem palavras. Tio Spinelli e Veleiro Soneca são demais. Recomendo a todos que querem aprender a velejar, desde o início até uma Travessia. 

E, num Lampejo voltaremos!!