PROPOSTA EM UM 'LAMPEJO'

Este Blog tem por finalidade servir como um "Diário de Bordo" do Veleiro Lampejo. Passeios, viagens, velejadas, manutenções e dicas a respeito do barco, um DELTA 26 e sobre a região do Litoral Norte/SP, Paraty, Angra dos Reis, Ilha Grande e Rio de Janeiro.
Assim como no blog anterior veleirogaipava.blogspot.com.br , durante 10 anos, espero que este sirva de estímulo às pessoas que desejam entrar nesse maravilhoso mundo da Vela de Cruzeiro.
Uma ressalva: 'O ministério da Saúde adverte: velejar causa dependência!!'
BONS VENTOS!!

sexta-feira, 10 de julho de 2020

CHUVEIRINHO DE POPA









Caros Tripulantes: deu trabalho!! Mas acho que deu certo!! Foram necessárias 3 idas ao barco e 3 ao Smidi, loja daqui de Ubatuba que vende conexões hidráulicas entre outras coisas , para resolver o problema de água doce no poceto.
Sempre que entrava no Lampejo, verificava água doce abaixo dos paineiros. Fazia o teste molhando o dedo indicador e colocando na boca. Sim, era água doce!! Ainda bem!!
Aí começaram os testes, fecha tanque. Esvazia tanque. Fecha registro. Abre registro. Liga pressurizador. Eis que verifico um vazamento nas conexões de entrada e saída do dito cujo. Conexões de PVC. Então comprava conexões de latão, de 1/2', 3/4', 3/8', rosca prá dentro. rosca prá fora, união de 3/8', de 1/2', chuveirinho novo comprado no Mercado Livre, abraçadeiras de 1/2', de 2/8', assim por diante.
Hoje enfim, consegui resolver esse vazamento, mas usando duas 'luvas' em PVC que estavam esquecidas no barco. Se não fossem elas, não daria certo. As conexões em latão não se adaptavam às roscas do pressurizador, apesar das medidas serem exatamente as mesmas.
Vai daqui, testa de lá, liga o pressurizador e PIMBA!! Ufa!!
Agora vou receber a base do chuveirinho para instalar na popa, ficando essa parte terminada.
Aí vou trocar o vaso sanitário antigo, que foi desmontado e montado na esperança de solução, mas sem sucesso. Será trocado por um JABSCO novo.




Reparem que a base é de um, o vaso de outro e a bombinha de outro. Um autêntico 'Frankstein'!!
Se funcionasse, tudo bem, mas só o descarte operava. A bombinha não puxava água do mar para o vaso. Então, na próxima semana teremos novidades!!
E, num Lampejo voltaremos!!

segunda-feira, 29 de junho de 2020

CICLONE ??




Caros Tripulantes: não foi uma velejada, mas não por falta de vento!! Pelo excesso mesmo!!
Ainda não tenho toda essa 'macheza'.... pelo menos não com meu barco!! 
É muito comum no meio náutico e também na vida, ouvirmos comentários maldosos, '-você deveria ter ido!! Agora tá bom prá velejar!! Porque não fez assim?? Ou assado?? - .....
Eu velejo por prazer, por diversão mesmo!! Não prá colocar em risco meu barco. Por isso aposentei tão cedo quanto possível. Por isso viemos morar em Ubatuba. Por isso o barco está na poita na praia em frente de casa. Em 5 minutos coloco o bote na água. Por isso vejo a previsão do tempo TODOS OS DIAS.
Ou seja, posso escolher o dia de velejar, com sol, mar e vento favoráveis.
E essas condições no sábado, 27/junho, eram de um ciclone no litoram do Sudeste, fenômeno preocupante e quem tem sua embarcação na água, já começa a rezar prá Nossa Senhora do Barco na Poita!! Com todo respeito.
Então, sábado 7 h. já estava a bordo do Lampejo para reforçar a amarração e ficar a bordo enquanto o 'monstrengo' ali estivesse. Alguns velejadores se faziam presentes em seus barcos também.
O Mar estava estranhamente calmo, sem vento, sem chuva, apenas nublado. Olhando para o Sul, viam-se nuvens carregadas. Por volta de 12 h. o show começou!!
De Sudoeste. O que para os barcos do Itaguá, nem é tão agressivo, já que ele entra pelo continente. Somos parcialmente abrigados de ventos do quadrante Sul. Mesmo assim, ele veio forte e trouxe alguma chuva também. E rajadas!! Numa dessas minha capa azul que fica sobre o casario rasgou-se.
Não durou mais de 1 hora. Aí acalmou de novo, como se nada tivesse acontecido.
Por volta das 14 h. entrou um vento mais forte só que de Leste. O Mar cresceu bastante e os veleiros pareciam bois num rodeio. Mas também não durou mais de 1 hora. E veio mais chuva e o mar balançando bastante.
Achei melhor pernoitar a bordo. Foi uma noite mal dormida, contudo, se estivesse em casa, estaria mais preocupado que a bordo. Então valeu a pena ficar no lampejo.
Aproveitei e fiz diversas coisas na cabine, daquelas que sempre deixamos prá depois.




Bote reformado. Re-estréia!!
Domingo de manha comecei a arrumar tudo, debaixo de chuva mesmo, para ir prá casa por volta de meio dia, tomar um banho quente, já que estava encharcado, almoçar e dormir.
Ponto positivo foi a re-estréia do bote laranja que foi reformado. Aguentou bem!!
E, num Lampejo voltaremos!!



quarta-feira, 24 de junho de 2020

NAVEGANDO NO SOLSTÍCIO

Caros Tripulantes,  com a chegada do inverno e em pleno solstício, que se dá quando o Sol, nosso Astro Rei, passa a incidir com maior intensidade no hemisfério Norte em razão da inclinação do Globo Terrestre de 23.5 graus aliados aos movimentos de rotação e translação , por consequência trás os dias mais curtos e as noites mais longas, sem contar aquele friozinho característico da estação, planejamos, eu e minha Almiranta, Maria de Los Angeles uma velejada até a Ilha Anchieta e Saco da Ribeira.
Então, sábado 7 h. já estávamos embarcados no Lampejo, iniciando toda a arrumação, tralha, rancho (comida/bebida), gelo, 'etcteras' ...
Aliás, o 'rancho' é um capítulo à parte, já que a Maria preparou comida para invernar e não para um fim de semana apenas.....

Barco pronto, zarpamos com Vela Mestra em cima e Yanmar ligado, bote no convés, uma pequena brisa, céu absolutamente azul, um Sol maravilhoso. E assim fomos saindo vagarosamente da nossa enseada com destino Ilha Anchieta.
Motoramos por uns 50 minutos, passando a Ponta Grossa , já avistando a Ilha Anchieta ao longe, cuja distância naquele momento era de 6 MN. O vento apareceu, desligamos o motor e claro, iniciamos uma velejada preguiçosa e tranquila. O vento era 'na cara' então bordejávamos e nos afastávamos dos inúmeros pesqueiros e suas redes.
A Maria ficou no leme boa parte da travessia e não fez feio. Ela conhece todos os conceitos e manobras básicas e posso afirmar que conhece mais do 'assunto' que muito marinheiro!!!






Tivemos que ligar o motor novamente, porque o vento miou de vez....e já que estávamos motorando, passamos pela Ilha Anchieta e fomos direto ao Saco da Ribeira onde estava o Christian e seu novo brinquedo, SAFO, futuramente, BACO, um Multichine 28. Nos falamos pelo rádio VHF e jogamos 'ferro' ao seu lado para um breve bate papo , 'molhando a palavra' com algumas cervejinhas...

Ele veio conhecer o Lampejo, ficamos num agradável papo de popa e  depois zarpamos novamente para velejar/motorar até a Anchieta, local escolhido para pernoitar.





Chegamos ao nosso destino, passando por diversos veleiros colorindo o azul do mar, jogamos ferro defronte o outrora 'Presídio Anchieta', hoje sede do Parque Anchieta, porém, em razão da pandemia, não pudemos descer...eu já estive lá algumas vezes, mas a Maria ainda não conhece. Fica prá próxima vez.... jantamos uns 'enrolados', dei uma cachimbada, e desfrutamos daquela paz.

Noite tranquila, balançando um pouquinho mais que o normal, a previsão era de algum vento para tarde, o que se confirmou, nos permitindo uma bela velejada.
Passamos pelo Boqueirão na vela, Saco da Ribeira, Enseada de Fortaleza, Ilhote do Sul, e nesse vai e vem ficamos, até retornar à Ilha Anchieta para um segundo pernoite. A ideia era ir para o Flamengo, mas tava cheio de embarcações, inviabilizando qualquer fundeio.
Um dos raros momentos que peguei no leme....
Foi uma baita velejada com ventos de 10/12 nós de SE , barco adernado, Maria divertiu-se e prá minha surpresa, não teve medo. E eu, nem precisa dizer.....
Fim da tarde nos dirigimos novamente ao mesmo local onde fundeamos com 5 metros de profundidade, jogando 11 metros de corrente mais 15 metros de cabo. Unhou super bem e dormimos tranquilos, dessa vez sem balanço.




Segunda cedo, dia de voltar ao nosso quintal encantado, Itaguá, apareceu uma brisa, um 'terral' e decidimos 'suspender' por volta de 10.30 h. e iniciar nossa volta.
'Despacito', fomos deixando a Ilha Anchieta rumo Itaguá, com o rumo magnético 60 graus na agulha.
De repente, um susto: o parafuso que prende a trava que liga a escota da Mestra na retranca se soltou e ficou por não mais que 1 cm para cair. Se fosse durante a velejada de domingo, já pensou?? Poderia até arrebentar os brandais, pois a retranca iria se soltar com violência. às vezes nossa vida depende de uma pecinha, um parafuso, uma cupilha....Isso é 'barco parado', sem uso. Foi só colocar outro parafuso e resolveu.
No través das Toninhas, merrecou o vento e azeitou o mar. Terminamos a travessia com vento de porão mesmo!! Nosso bravo Yanmar nos levou em segurança prá casa, onde chegamos 2;15 após suspender o ferro.

Chegamos na poita 12:30 h. Maria desembarcou e eu fiquei para mais um pernoite, para no dia seguinte arrumar tudo e deixar o Lampejo em ordem.
Verifiquei um vazamento de água nas conexões de mangueira do pressurizador. Gastei quase o dia todo fazendo testes com o tanque inox, fecha aqui, libera lá e cheguei à conclusão que o problema era esse. Soltei as conexões e recoloquei com teflon. Vamos ver se acho água no porão de novo....




 De quebra, ganhei esse 'crepúsculo dos Deuses'. Cachimbei, comi, deitei e dormi. Noite absolutamente calma, pela manhã terminei a arrumação e por volta de 13 h. estava em casa já pensando na próxima velejada....Navegamos 40 milhas náuticas.
E, num Lampejo, voltaremos!!!


sexta-feira, 12 de junho de 2020

AFINANDO O BARCO

Caros Tripulantes: essa pandemia tem atrapalhado sobremaneira alguns reparos no Lampejo, mas como reclamar se tem gente morrendo...e muita gente!!
Então vamos 'tocando o barco' literalmente. Na verdade não são reparos mas sim verificações no fogão, mangueiras, banco de baterias, instalação do Chartplotter Lowrance e painel solar.
De resto, o Lampejo vai bem e nada disso impede a navegação e isso é o mais importante para ir conhecendo melhor o barco.
Fui na terça feira 7 horas carregando toda tralha para alguns pernoites. A previsão era razoável e também não iria longe.










E assim foi feito. Largamos a poita 10 h. com ventinho de uns 8 nós,rondando de SE a L, Mestra em cima e Yanmar funcionando. Logo desliguei o motor e abri a Genoa e o Lampejo deslizava suavemente num dia de sol e mar sem ondas. Velejada agradável e que me permitiu vários bordos e jaibes para ir me acostumando a um leme e casco diferentes do Gaipava. Vejo que o leme responde bem mais rápido e se bobear, dou um 360*  involuntário. Aliás, repeti essa manobra algumas vezes, assim como 'capear' para um lanchinho a bordo.
Dois veleiros passaram por mim, um deles o Gian do Atol das Rocas dando aula e outro que foi para Barra Seca e não consegui visualizar.

Retornei para poita 15 h. e fui relaxar ainda mais com meu cachimbo e uma latinha de cerveja. Navegamos 11.8 MN . e fui dormir por volta de 20 h. Noite calma e tranquila.

Dia seguinte o dia amanheceu esquisito, cinza, com rajadas e calmarias estranhas.
Assim mesmo zarpei 11 h. motorando um pouco mais afim de carregar as baterias. Logo o vento deu uma firmada, mas rondava bastante. Velejei o que deu até as 14 horas quando resolvi voltar para poita apos 7 MN navegadas e ficar curtindo o visual.
Ainda tentei fotografar o top do mastro pois pretendo fazer algumas modificações nas adriças e preciso conhecer lá em cima. Mas o dia e a falta de claridade não ajudou.
Tive outro pernoite tranquilo, um pouquinho mais mexido e um raiar do dia maravilhoso.


Mas era hora de voltar prá casa e sem pressa fui arrumando as coisas para sair do barco 13 h..
Naveguei um total de 19 MN.
E num Lampejo voltaremos!!